Assexuados

Como agora estão aparecendo essas pessoas, vamos estudar mais sobre…

Os pássaros praticam a abstinência sexual, e as abelhas também. Mas não necessariamente todos pássaros e abelhas. As abelhas operárias, que são irmãs da abelha rainha, não praticam sexo. E em certas espécies de pássaros –como, por exemplo, a gralha dos arbustos da Flórida– alguns indivíduos, conhecidos como auxiliares, não geram, mas apenas ajudam os pais a criar os filhotes.
Mas será que a indiferença em relação ao sexo poderia também se estender aos seres humanos?

Um número cada vez maior de pessoas diz que sim e apresenta provas. Elas se descrevem como assexuadas, e dizem ser normais, e não o resultado de uma orientação sexual confusa, de um medo da intimidade ou de um lapso temporário do desejo. Elas gostariam que o mundo compreendesse que são capazes de viver felizes sem o sexo.

As pessoas acham que precisam converter os outros“, diz Cijay Morgan, 42, vendedora de telefones em Edmonton, Alberta [Canadá], que se autodefine como assexuada.

“Elas são capazes de entender que alguém não goste de música country ou de cebola, ou que não se interesse por aprender a assoviar, mas não podem aceitar que alguém não queira praticar sexo. O que elas não entendem é que muitos assexuados não desejam ser ‘curados'”.

Somente uma pesquisa científica parece ter sido feita nesta área. E vários especialistas em sexualidade humana, quando são informados de que há uma comunidade crescente de pessoas na Internet que se definem como assexuadas, dizem que não ouviram falar de tal coisa. Mas a maioria desses especialistas não se surpreende com o conceito.

Três quartos dos pacientes que procuram o Centro de Medicina Sexual da Universidade de Boston não sentem qualquer desejo sexual, diz Irwin Goldstein, diretor da instituição, que também é editor do periódico “The Journal of Sexual Medicine”. “Chamamos isso de desordem do desejo sexual hipoativo (HSDD, na sigla em inglês)”, explica ele.

Porém, a falta de interesse por sexo não é necessariamente uma desordem ou sequer um problema. A não ser, apressa-se a acrescentar Goldstein, que isso cause sofrimento, ao, por exemplo, causar conflitos no casamento ou na relação amorosa.

John Bancroft, o diretor recém-aposentado do Instituto de Pesquisa sobre Sexo, Gênero e Reprodução da Universidade de Indiana, disse: “Creio que seria muito surpreendente se não houvesse indivíduos assexuados. Sob uma perspectiva kinseyana há uma grande variação na sexualidade humana”.

Nem todos os médicos concordam que a falta de interesse no sexo possa ser considerada normal. “É algo como se uma pessoa dissesse que não tem apetite”, diz Leonard R. Derogatis, psicólogo e diretor do Centro de Saúde e Medicina Sexual da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore.

“O sexo é um impulso natural, tão natural quanto o impulso para comer e beber a fim de garantir a sobrevivência. É meio difícil afirmar que essas pessoas sejam normais”.

Pessoas assexuadas muitas vezes dizem ter consciência da falta de interesse em sexo desde a adolescência e que, embora isso possa tê-las perturbado, nunca conheceram nada de diferente.

“Descobri que era assexuada mais ou menos na mesma época em que percebi que era baixa, quando tinha cerca de 15 anos”, conta Miss Morgan, de Edmonton, que tem 1,55 m de altura.

“Descobri que era baixinha quando todas foram ficando mais altas que eu, e percebi que não tinha desejo sexual quando todo mundo a minha volta começou a expressar e experimentar tais desejos”.

A Internet proporcionou uma plataforma para que as pessoas que se definem como assexuadas anunciem a sua existência coletiva. O anonimato da Web torna mais fácil conversar sobre o assunto, diz Todd Niquette, 36, analista de sistemas em Saint Paul, e membro da Rede de Educação e Visibilidade dos Assexuados, um grupo da Internet.

A sua rede define um assexuado como alguém que “não sente atração sexual”. Essa definição é, logicamente, distinta do conceito bem mais antigo de reprodução assexuada, praticada, por exemplo, por amebas, águas-vivas e certos lagartos, assim como por muitas espécies de plantas.

Os assexuados podem sentir desejos sexuais, e até mesmo se masturbar, mas eles não desejam manter relações sexuais com outras pessoas, diz David Jay, 23, que fundou a Rede de Educação e Visibilidade dos Assexuados (Aven, na sigla em inglês) quatro anos atrás, quando estava na faculdade.

Os assexuados sentem com freqüência atração romântica por outras pessoas, diz Jay. Só que tal atração não envolve sexo.

Ele diz que tem interesse por um “envolvimento emocional profundo” e que gostaria de criar filhos (mas frisa que “não necessariamente filhos biológicos”). Mas garante que nunca praticou sexo, e acrescenta que há uma grande chance de que jamais venha a fazê-lo.

Se é comum encontrar pessoas assexuadas, por que elas não foram mencionadas em livros de história ou em outras publicações antes do surgimento da Internet?

Elizabeth Abboth, pesquisadora do Trinity College da Universidade de Toronto, é autora do livro “A History of Celibacy” (“Uma História do Celibato”). Ela especula que isso pode se dever ao fato de tais pessoas geralmente não serem detectadas. Elas costumam não se casar, ou entrar em casamentos sem sexo, ou fazer sexo sem sentirem vontade. Ela observa que, ao contrário da homossexualidade, a assexualidade nunca foi ilegal.

No entanto, a sociedade nem sempre aceitou a assexualidade. Abbot diz que na Idade Média a “não consumação do casamento” era considerada “um insulto ao sacramento do matrimônio” e motivo para o divórcio.

A pesquisadora observa que a assexualidade é diferente do celibato, que implica uma decisão consciente de reprimir um desejo pelo sexo. Aquele que parece ser o único estudo publicado sobre a assexualidade –que foi definida como uma ausência, durante a vida toda, de atração sexual por homens ou mulheres– revelou que 1,1% dos adultos podem ser assexuados.

O número foi obtido a partir de uma pesquisa com 18 mil britânicos que foram entrevistados em 1994 sobre doenças sexualmente transmissíveis. Os dados foram novamente analisados por Anthony F. Bogaert, psicólogo da Universidade Brock, em Saint Catharines, Ontário, que publicou as suas descobertas em agosto do ano passado no periódico “The Journal of Sex Research”.

Bogaert descobriu que 44% das pessoas que não expressam interesse em sexo ou estão casadas ou vivendo com parceiros (ou o fizeram no passado).

Pode-se pensar que ao evitar o sexo e todas as emoções e responsabilidades que o acompanham, sem falar dos riscos à saúde, os assexuados podem ter uma vida comparativamente mais fácil.

“Mas creio que nós trocamos tudo isso por um tipo diferente de problema”, diz Jay. “O sexo é peça central da vida de várias formas, e um dos verdadeiros desafios para quem é assexuado é tentar descobrir onde se encaixar“.

O problema costuma aparecer durante a adolescência. “Quando eu tinha 16 ou 17 anos, sabia que o sexo era algo que parecia ser tremendamente importante para todo mundo, só que não entendia por quê”, diz David Warner, 55, escritor técnico e editor, que mora em um subúrbio da região metropolitana de Washington D.C.

Assim como vários outros assexuados, Kate Goldfield, 21, aluna do Goucher College, em Baltimore, já chegou a pensar que fosse lésbica. “Concluí que era gay porque sabia que não gostava de homens”, conta Goldfield. Mas ela diz que depois percebeu que também não se sentia sexualmente atraída por mulheres.

Segundo os assexuados, muita gente lhes diz que passarão a sentir desejo quando encontrarem a pessoa certa ou quando as circunstâncias mudarem, mas que tais previsões simplesmente não se concretizam.

“Por que precisaria tanto da sexualidade na minha vida a ponto de desviar meu tempo e minha energia para descobrir o que despertaria o meu desejo?”, questiona Jay.

Os médicos descobriram ser capazes de gerar desejo sexual em mulheres e homens fornecendo-lhes suplementos hormonais. E alguns cientistas suspeitam que os hormônios podem ser o motivo de certos casos de assexualidade. Ou, sugere Bogaert, pode ser que certas estruturas cerebrais se desenvolvam de maneira diferente em pessoas assexuadas.

Mas uma pesquisa pequena e ainda não divulgada feita junto a 1.146 pessoas –incluindo 41 que se descrevem como assexuadas— e conduzida por meio de entrevistas online realizadas por Nicole Prause, estudante de pós-graduação em psicologia na Universidade de Indiana, revelou que o motivo pelo qual os assexuados não fazem sexo não é o medo.

É preciso respeitar as diferenças individuais“, afirma. “Mas para a grande maioria das pessoas que apresentam inibição do desejo, a resposta não é a assexualidade“.

Os indivíduos muitas vezes passam por períodos de assexualidade. Muitos casais abdicam do sexo após alguns anos, diz Pepper Schwartz, socióloga da Universidade de Washington em Seattle e autora do livro “Everything You Know About Love and Sex is Wrong” (“Tudo o Que Você Sabe Sobre o Amor e o Sexo Está Errado”).

“Certas pessoas se sentem aliviadas não só relegando o sexo a um segundo plano, mas também abdicando dele de vez”, diz ela.

Jay reconhece que alguns assexuados passaram –ou passarão– algum tempo como sexuados. “Vemos gente na Aven que passa por relacionamentos nos quais de repente passam a gostar de sexo, e vemos muitas que dizem que costumavam gostar de sexo, mas não gostam mais”, afirma.
“Mas a maioria da comunidade é bem estável”.

Um homem de 32 anos de Dallas, cujo nome é Keith (ele se recusou a fornecer o sobrenome) disse ter tentado lidar com a sua assexualidade se casando. “Achei que o fato de me casar me curaria, e que subitamente me interessaria pelo sexo”.

Após seis anos de casamento, ele se divorciou, e atualmente vive com um homem mais jovem em um relacionamento que descreve como amoroso e romântico, mas sem sexo.

Jay diz acreditar que as pessoas assexuadas podem aprender a chegar a um acordo quanto ao relacionamento com indivíduos sexuados.

“No segundo grau e na faculdade, quando percebia que alguém estava dando em cima de mim, caía em uma atitude defensiva e dizia a mim mesmo que a coisa não podia dar certo”, conta ele. “Mas depois disso percebi que se alguém se aproximar de mim sexualmente, isso significa que essa pessoa gosta da minha personalidade”.

“Existe um desejo real dessas pessoas de descobrir como administrar relacionamentos sem sexualidade”, explica ele. “Ainda não temos algo como um livro de auto-ajuda sobre o assunto”.

Vocês já tinham ouvido sobre o assunto?

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10 Comentários

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10 Respostas para “Assexuados

  1. oii,que chique primeira a comentar e a votar na enquete,eu ja tinha ouvido falar sim na malhação,que post enorme eu ainda nem terminei de ler.Visita o blog :*

  2. Just want to say what a great blog you got here!
    I’ve been around for quite a lot of time, but finally decided to show my appreciation of your work!

    Thumbs up, and keep it going!

    Cheers
    Christian, watch south park online

  3. Recife

    É bom saber que tudo tem um jeito,se tratando desse assunto…Me preocupo na maioria das vezes pensando besteiras da minha Namorada(que aos poucos descobri que ela se encaixa como uma pessoa Assexuada).Sou apaixonado mais nao se lidar ainda com essa situação,o Sexo me deixa Bem…

  4. insatisfeita

    meu marido nao se importa por sexo,eu fico chateda,as vezes penso que ele tem outra,mas ao mesmo tempo eu sei que nao.ele ate fica excitado mas se eu nao forcar a barra nao acontece nada,eu pergunto p/ ele se o desejo dele em se acabou e ele diz que nao,mas tambem nao me procura,se deixar ele fica ate um mes sem fazer nada.me ajudem a entender isso por favor,me ajudem a salvar o meu casamento.

  5. Joao

    Minha primeira namorada qs desistiu de mim no começo. Eu ate queria, achava ela linda, mas rolava um bloqueio, eu nao ficava exitado por nda. Depois de mto trabalhar meu psicologico eu passei a conseguir, e adorava fazer sexo com ela. Agente acabou e cada dia q passa eu perco mais a atraçao sexual. Hj ja tenho medo de ficar com alguem e na hra eu nao conseguir. Vejo mulheres q eu sei q qdo estou tranquilo acho lindas, mas se me vejo na oportunidade de rolar alguma coisa é como se passasse completamente o desejo. Ate sinto vontade de ter uma relaçao de carinho, um romance, mas nao me sinto exitado a querer fazer sexo. Ja cheguei tbm a ficar com um cara, achei ate bem parecido com ficar com uma guria, mas tbm nao rolou nda, e qdo vi q nao ia ter jeito msmo me senti pessimo de ter me metido naquela ‘experiencia’. Ta foda !! Sera q eu sou assexuado ??

  6. cristiano

    Sou assexuado e acho isso maravilhoso, tenho 35 anos não sou gay, e vivo isso da melhor forma possivel, é um estado maravilhoso, no começo achei estranho mas depois vi que o meu completo desinteresse pelo sexo era muito normal, uma vocação, muitos santos da Igreja Catolica foram assexuados, S. Pedro, S Paulo, Tiago, João, Barnabé etc… é uma vocação e como tal deve ser descoberta e vivida na maior naturalidade, não existe nada de feio no sexo, mas tmabém não existe nada de espantoso na continencia, e na assexualidade.É sem dúvida um mundo maravilho, pois só quem se descobre é quem sabe. Beijos

  7. Alessandra

    Lendo algumas coisas a respeito, percebi que sou assexuada. Com meu primeiro namorado, rolava sexo com o maior tesão. Mas terminamos e comecei a sair com outros homens sem muita vontade de transar. Acabava fazendo só pra cumprir tabela. Até que conheci meu ex-marido, nos casamos e tivemos dois filhos… Só que meu desinteresso por sexo acabou minando nosso casamento. Nos separamos e hoje não tenho vontade de transar com ninguém mas sinto muita vontade de um envolvimento amoroso… Isso me dá tranquilidade, não me desespero pra encontrar alguém pra transar, só para amar… me sinto nobre…

  8. Viviane

    Sou assexuada mas não acho isso tão maravilhoso assim como diz o Cristiano.,
    Existem muitos obstaculos que acabam por levar por vezes. a uma carencia afetiva.
    Para algumas pessoas compartilhar a vida com alguem é extremamente importante e dificilmente sem sexo isso é possivel.
    Vivi

  9. kelly

    Descobri a poucos dias a palavra assexuados então comecei a pesquisar para saber se me tornei uma pessoa assexuada.
    Analisando minha vida quando era mais nova sentia um desejo enorme por sexo mas tbém o tempo foi passando desilusões,decepções fui perdendo totalmente o interesse.
    Creio que muitos de nós acabamos perdendo o interesse pelo sexo por culpa da desonestidade dos companheiros(a)então nos fechamos pois achamos que qualquer pessoa que se aproximar quer somente fazer sexo nos uso para o intento e some.
    Não gosto do tal ficar por ficar adoro a sensação do gostar sentir a necessidade de trocar carinhos verdadeiros com meu par.
    Com o tempo as conversas entre amigas sempre as mesmas saiam com o cara se apaixonavam e daqui alguns dias pronto o cara não queria mais nada então pensei não é só comigo que acontece.
    Hoje creio que me bloquiei de tal forma que ninguém mais consegue me chamar atenção.
    As vezes num barzinho ou num baile os caras se aproximam tentam me paquerar eu fujo coisa que no passado não acontecia eu paquerava mesmo.
    As vezes penso tem alguma coisa errada fui ao médico pois entrei na menopausa pensando talvez seja por isso,me receitou reposição hormonal mesmo assim continuo sem querer ter contato fisico com alguém.
    Interessante achei que não tinha mais tesão resolvi me masturbar então descobri que eu ainda sinto prazer.(acho muito estranho).
    Ao mesmo tempo que gostaria de ter alguém sinto-me fria com relação ao outro.
    Agora me pergunto será que me tornei assexuada!ou o medo de ser usada me travou!

  10. Gisele

    Alessandra sou igual a você.
    Gostaria muito de conversar se possivel por e-mail.
    Tive durante a vida 4 ou 5 namorados e um casamento com muito amor mas infeliz porque eu não o correspondia.
    Agora sou separa, tenho 01 filho, mas me sinto muito sozinha.
    Gostaria muito de amar novamente, ter com quem conversar, passear, namorar … idependente de sexo.
    Na verdade não enxergo a possibilidade de ser feliz.

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